Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
O fantástico na recepção literária em curso de Comunicação Social: os contos de Murilo Rubião
Mei Hua Soares (Universidade de São Paulo)
Nos primeiros semestres de 2020 e 2021, ainda em ambiente virtual em função do contexto pandêmico (Coronavírus), foram realizadas leituras dos contos de Murilo Rubião junto a turmas de Comunicação Social (Jornalismo/ Publicidade e Propaganda) de modo a propiciar maior contato com a literatura fantástica brasileira, bem como visando a impulsionar paralelos com a realidade que nos cercava naquele momento. Pretende-se, nesta comunicação, apresentar a dinâmica das leituras feitas e tecer considerações sobre a relação entre a visão pleonástica e metafórica da literatura do autor em diálogo com temáticas atemporais. Todorov, ao fazer a distinção entre o fantástico e o maravilhoso, salientando que este insere elementos mágicos e sobrenaturais como pressupostos (o mundo maravilhoso é apresentado ao leitor como uma premissa, algo dado previamente) e aquele (fantástico) como uma vertente que envolve rupturas (o leitor tem acesso a uma rotina comum para em seguida lidar com o estranho, com algo que escapa à normalidade), nos fornece a chave de entendimento para lidar com os contos rubianos. Ainda que a maioria se enquadre na categoria fantástica, alguns se aproximam mais do campo maravilhoso, e há ainda os que se assemelhem a contos realistas. Para pensar as alegorias presentes nos textos, faremos uso do conceito de metáforas vivas, de Paul Ricoeur, ao passo que, para aventar hipóteses quanto à recepção de leitura dos contos, nos apoiaremos no conceito de obra aberta, de Umberto Eco, de leituras de prazer e leituras de fruição, de Roland Barthes, e de playing e game, dissecados por Vincent Jouve.
Palavras-chave: literatura fantástica; recepção literária; Murilo Rubião; metáfora; leitura
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