Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
O espaço-tempo distópico na poética de Golgona Anghel, Manuel de Freitas e Pedro Mexia
Julieny Souza do Nascimento (Universidade Federal Fluminense (UFF))
Os estudos de paisagem nas literaturas de língua portuguesa, desenvolvidos com maior visibilidade nos últimos anos, evidenciam que a tríade mundo, sujeito e palavra constitui uma estrutura de sentidos. Os poetas portugueses contemporâneos, vozes em geral pouco conhecidas no Brasil, têm apresentado na matéria-emoção poética uma leitura/escrita de mundo que delineia geografias não limitadas a descrever espaços, mas a configurar o ambiente urbano circundante e a emitir posicionamentos e questionamentos sobre a relação estabelecida entre o espaço físico/social (território geográfico/simbólico) e o sujeito. As obras poéticas de Golgona Anghel, Manuel de Freitas e Pedro Mexia, poetas contemporâneos nascidos ou radicados em Lisboa, apresentam paisagens da cidade portuguesa e refletem, em discursos distópicos, as condições urbanas, expondo questões próprias e similares ao mundo e ao tempo contemporâneo. O estudo em diálogo dessas vozes portuguesas proporciona uma compreensão sobre o lirismo contemporâneo em Portugal, predominantemente atento à vida urbana e às tensões econômicas, existenciais, políticas e sociais que permeiam o mundo, a sociedade e a cultura contemporânea ocidental do século XXI. Utilizando a perspectiva fenomenológica dos estudos de paisagem, no âmbito de uma geografia literária, sobretudo orientada pela abordagem de Michel Collot, importante pensador da poesia moderna e contemporânea, o trabalho visa examinar o contexto em que os poetas se inserem, os poemas presentes em alguns de seus livros e as principais marcas de suas linguagens poéticas.
Palavras-chave: Literatura portuguesa; Poesia portuguesa contemporânea; Figurações da paisagem urbana; Representações da cidade; Lisboa.
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