Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
O desejo e a vontade em O crime do padre Amaro, de Eça de Queirós.
FRANCISCA SOLANGE MENDES DA ROCHA (UFC)
O crime do padre Amaro, de Eça de Queirós, configura-se em um verdadeiro instrumento de crítica ao comportamento burguês do último quartel do século XIX. O autor lusitano construiu suas personagens dentro de padrões de conduta não muito aceitáveis na sociedade oitocentista. O romance eciano é uma sátira contra a corrupção e a hipocrisia existentes no clero português da época. Sendo o mais naturalista publicado por Eça de Queirós, a obra enfoca uma instituição social específica – o clero – e aborda o celibato religioso imposto, tentando demonstrar os efeitos nocivos dele decorrentes, criticando o comportamento lascivo da personagem que dá nome ao romance. O que se pretende aqui é uma discussão acerca da luta entre desejo e vontade nas personagens principais Amaro e Amélia, que vivem um relacionamento amoroso proibido pelas convenções sociais. A vontade tem senso de dever, exige renúncia e cotas de sacrifício. O desejo vive confortavelmente no território da imaginação e segundo Aristóteles, é aquilo que move, que impulsiona o homem para a ação(práxis). Na lista das paixões de Aristóteles encontram-se os apetites, o ódio, o desejo, a alegria, a amizade, a emulação, a compaixão, a audácia e todas as sensações que são acompanhadas de dor ou de prazer. As paixões, portanto, podem ser consideradas como o que internamente guia o agir humano, relacionadas intimamente com a moralidade, a virtude ou o vício que cada agente apresente, sendo o fio condutor das personagens analisadas no desenrolar da trama romanesca de O crime do padre Amaro.
Palavras-chave: Eça; Naturalismo; Paixões; Desejo; Vontade.
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