Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
“Quem resgatará Pagu?”: literatura, política e resistência nas obras de Patrícia Galvão
Juliane Ramalho Barbosa (UERJ)
Estudos que se debruçam sobre autoria feminina têm sido uma crescente na área das Letras, seja para propor uma revisão do cânone literário, seja para movimentar-se em direção ao resgate de autoras até então situadas à margem e rasuradas deste cânone. Uma dessas autoras foi Patrícia Rehder Galvão (1910-1962), conhecida pelo apelido “Pagu”, tornou-se celebrada como “musa do modernismo” e “militante ideal” do Partido Comunista Brasileiro entre o final de 1920 até meados de 1940. Foi a autora do primeiro romance proletário brasileiro, Parque Industrial (1933) cujas personagens principais pertenciam a uma classe subalterna, eram mulheres trabalhadoras. Apesar das iniciativas de seus biógrafos para reavivar sua memória, há ainda facetas de Pagu que seguem pouco desvendadas. Deste modo, a fim de fazer valer tantos esforços, primeiro, os da própria Patrícia para preservar sua obra, e segundo, dos pesquisadores que nos antecedem, o caminho que esta comunicação objetiva percorrer delineia um diálogo entre ambas propostas, trata-se de uma análise das obras de Patrícia Galvão, Álbum de Pagu – vida, nascimento e morte (1975) e Paixão Pagu: uma autobiografia precoce de Patrícia Galvão (2005), privilegiando a relação “vida-obra” desenvolvida por Augusto de Campos e tendo como foco no teor autobiográfico existente nestas produções. Acreditamos que tanto o ativismo cultural quanto o político contribuíram para fazer de Patrícia Galvão não só uma intelectual engajada, mas foi também seu modo de resistência e estratégia de estar no mundo enquanto escritora. “Os livros são dorsos de estantes distantes quebradas. Estou dependurada na parede feita um quadro” (GALVÃO, 2010, p. 211). Há cada vez mais vozes contando e cantando em uníssono a história das nossas escritoras que estiveram por tanto tempo alijadas dos holofotes. Desejamos, portanto, “despendurar da parede” o quadro “museificado” dessa escritora que apesar de forjada no centro do modernismo, não esgotou possibilidades artístico-literárias.
Palavras-chave: Pagu; vida-obra; autobiografia; autoria feminina.
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