Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Escrevivência e decolonialidade no poema "O colono e o fazendeiro", de Carolina Maria de Jesus
Maxswell Brito Oliveira (UESPI)
O colonialismo e a escravização promoveram o aviltamento do corpo, da cultura e da identidade negra. Marcados por violências físicas, morais e psicológicas tais processos ocasionaram a depreciação do trabalho realizado pelo negro, justificando a sua exploração. Nesse sentido, o presente trabalho objetiva investigar de que forma o poema "O colono e o fazendeiro" de Carolina Maria de Jesus atua como protesto ao pensamento colonial, quando expõe um panorama social em que apresenta o modo de vida exploratório que o negro é submetido mesmo após o fim da escravidão. Trata-se de uma pesquisa fundamentada na crítica literária sociológica e tem como meta relacionar os versos do poema com a realidade do negro nos dias atuais. Para tanto, se estabelece um diálogo com o estudo da poesia negra desenvolvida por Elio Ferreira de Souza (2017), assim como as pesquisas acerca da vida e obra poética da escritora, produzidas por Rafaella Andréa Fernandez (2018), Tom Farias (2018) e Amanda Crispim Ferreira (2022), além dos textos da própria Carolina Maria de Jesus em "Antologia pessoal" (1996) e "Diário de Bitita" (1986). Utiliza-se ainda para tratar do decolonial na poética de escrevivência de Carolina Maria de Jesus os textos de Conceição Evaristo (2020a; 2020b) e Nelson Maldonado-Torres (2020). Conforme as análises, corroborou-se o fundamento de que a poetisa se utiliza da oralidade, de recursos memorialísticos e de suas experiências para apresentar uma perspectiva decolonial que se opõe à tradição da exploração do homem pelo homem, evidenciando o local da exclusão do negro e objetivando o rompimento de narrativas exploratórias.
Palavras-chave: Escrevivência; Decolonialidade; Poesia negra; Carolina Maria de Jesus.
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