Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
O índio despido: a identidade brasileira no romance português A virgem Guaraciaba (1866)
David Patrick Tavares Belo (Universidade Federal do Pará)
Esta comunicação, por meio da metodologia da análise comparativa, objetiva fazer uma leitura do romance “A virgem Guaraciaba” (1866), de Manuel Pinheiro Chagas (1842 – 1895). A perspectiva abordada traz à tona os contextos oitocentistas que resultaram em uma das principais discussões literárias entre o Brasil e Portugal: a questão da identidade da literatura brasileira. Para tanto, serão estudadas as fontes primárias em que Pinheiro Chagas escreveu sobre a literatura brasileira, sendo elas: “Anuário do Arquivo Pitoresco” (1866); “Novos Ensaios Críticos” (1867) e “O Brasil” (1873). Diante disso, para elucidar questões referente a identidade literária brasileira no século XIX, o referencial teórico utilizado nesta pesquisa abrange os postulados por Antônio Candido (2004), quando ele se refere a formação da identidade brasileira por meio do romantismo que funcionou como “expressão própria da nação recém-fundada, pois fornecia concepções e modelos que permitiam afirmar [...] a identidade” (CANDIDO, 2004, p. 15); os estudos de Zilá Bernd, do livro “Literatura e identidade nacional” (1992), em que a pesquisadora afirma que os textos produzidos no romantismo possuíam uma visão sacralizante ao recuperar e solidificar os mitos (BERND, 1992, p. 18); a pesquisa de Flora Süssekind, em “O Brasil Não é Longe Daqui” (1990), ela chama de “alegoria da natureza” a busca por uma “fundação de uma imagem original” da literatura e afirma que autores estrangeiros lançavam mão de documentos como diários de viagens (SÜSSEKIND, 1990, p. 33) e entre outros teóricos. Nesse sentido, busca-se evidenciar os parâmetros levantados por Manuel Pinheiro Chagas sobre como a identidade da literatura brasileira poderia se tornar autônoma e, através de seu romance histórico de temática tropical, intitulado “A virgem Guaraciaba”, identificar a utilização do elemento nacionalista brasileiro empregado pelo crítico literário português ao valer-se de personagens indígenas e a floresta americana para compor sua narrativa.
Palavras-chave: Pinheiro Chagas; Crítica lusitana; Romance histórico.
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