Thereza de Jesus Santos Junqueira (Universidade Federal da Bahia (UFBA))
Embora o autor prescinda de apresentações, há muito da obra de Bertolt Brecht que não ganhou a mesma visibilidade que seu nome, seja pelo momento histórico em que tenha sido concebido, seja por não caber nos parâmetros do teatro épico, tomado muitas vezes como sinônimo de sua produção. É o caso, por exemplo, das peças didáticas ou peças de aprendizagem, que foram lidas durante muito tempo sob a alcunha de propaganda marxista ou até mesmo como uma produção menor de Brecht, com a ressalva de Heiner Müller de que elas não seriam mais possíveis nos idos das décadas de 60 e 70 do Século XX. Nesta comunicação, apresenta-se o processo de escrita e encenação da obra Der Jasager und der Neinsager [Aquele que diz sim e Aquele que diz não], peça didática e ópera escolar, que é derivada de Taniko, uma peça do Teatro Nô, japonês e que se distingue da proposta épica, seja por consistir em uma peça de exercício, seja por sua composição vinculada à música. Tratam-se de aspectos estilísticos que dialogam diretamente com o tempo e pertencimento do autor, e que muitas vezes ficam escondidos, do mesmo modo que os peculiares estímulos sociais e artísticos que estavam em questão pela bem sucedida sistematização que foi - e que é - o teatro épico. Ressaltar esses elementos silenciados agrega repercussão à obra em questão, uma vez que além de evidenciar o constante Gestus transgressor do renomado autor, abre novas possibilidades de leituras e combinações para o público contemporâneo.