Isabela Coradini Pinheiro (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
O objetivo do presente trabalho é examinar a representação de personagens leitoras nas obras dos autores Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco, considerando a educação das jovens e a cultura impressa da época. Desse modo, pretende-se analisar a construção do imaginário social oitocentista que forjou a ideia de uma literatura, por vezes benéfica, por vezes maléfica, destinada prioritariamente ao público feminino. Realizaremos a análise destacando, principalmente, as seguintes personagens: Luísa, d’O primo Basílio (1878) e Maria Eduarda Maia d’Os Maias (1888), de Eça de Queirós; Ludovina e Angélica, d’O que fazem mulheres (1858) e Cassilda Arcourt, d’A mulher fatal (1870), de Camilo Castelo Branco. Como aporte crítico-teórico do recorte utilizamos História da Literatura Portuguesa (1975), de António José Saraiva e Óscar Lopes; Minha história das mulheres (2019) e Os silêncios do corpo da mulher (2003), de Michelle Perrot; Um teto todo seu (2019), de Virginia Woolf, e “Senhoras e mulheres” na sociedade portuguesa do século XIX (2000), de Irene Vaquinhas. Dessa forma, será possível tecer um esboço atinente à representação das leitoras portuguesas do século XIX; e analisar como as obras de Camilo e de Eça forjaram socialmente uma nova ideia de leitora para o mundo novo, liberal e romântico.
Palavras-chave: Camilo Castelo Branco; Eça de Queirós; Leitura; Personagens femininas.