Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Muda a mitologia, permanece o mito: o erotismo nas poéticas de Cristiane Sobral e Lubi Prates
Francisca Georgiana do Nascimento Pinho (UFC)
A presente pesquisa investiga o viés erótico nas poéticas Terra negra (2017), de Cristiane Sobral e Um corpo negro (2019), de Lubi Prates por intermédio de uma análise do erotismo e da representação do corpo negro feminino nos poemas “Luxúria”, “Sagrada esperança” e “Força ancestral”; e “bem-vindo a este mapa”,“hasta aqui, hasta llegar a mí” e “nos tornamos maiores”, respectivamente. Com o objetivo de apresentar o discurso erótico enquanto crucial na demanda de luta e ativismo negro por mulheres, tomamos por base os estudos de hooks (2019), Lorde (2020), Collins (2019), Gonzalez (2019), Nascimento (2021), Lobo (1993), além de outras teóricas que dialogam entre o campo dos estudos feministas, questões de gênero, raça, classe e sexualidade para fundamentar a hipótese de que Sobral e Prates constroem um caminho fecundo para uma consciência dos desejos, prazeres e afetos da negritude, bem como ao sentimento de confiança e liberdade na expressão da própria sexualidade. Além de Bataille (2021), o trabalho faz uso das considerações sobre o erotismo de Paz (1998) e Borges (2013). Para repensar a relação endogâmica entre negras/os e a desvinculação de quem os oprimem, recorre-se aos estudos psicanalíticos de Souza (2021), Fanon (2020), Nogueira (1998) e Ceccarelli (2012); aos estudos socioantropológicos de Pinho (2008), Moutinho (2004), Arruda (2008) e Miskolci (2013), entre outros; as considerações sobre a África, seus aspectos culturais e mitológicos estão fundamentadas em Prandi (2001). Na poesia dessas poetas, o erotismo torna-se a temática que define o sujeito feminino, de modo que o corpo negro é inscrito enquanto local de prazer pelo prazer e não como um prazer a serviço do outro.
Palavras-chave: erotismo; poesia negra; Cristiane Sobral; Lubi Prates.
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