Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Mitos e lendas do Monte Roraima na tradução de Koch-Grunberg
Riane de Deus Lima (Universidade Federal do Pará - Ufpa)
John Milton em Tradução, Teoria e Prática (1998) faz citação de autores alemães acerca da tradução: Wilhem von Humboldt “considera a tradução como uma maneira de proporcionar ao indivíduo experiências com as quais ele nunca teria tido contato. Tanto o indivíduo como a nação passam por algo mais nobre e mais complexo”; Johann Gottfried Herder o tradutor é a “estrela da manhã de uma nova era na literatura” e Goethe considera que “o tradutor é o profeta, o mensageiro, o escolhido”. Apresento na pesquisa que o etnógrafo também alemão Theodor Koch-Grünberg em sua viagem do Monte Roraima até o rio Orinoco, na Venezuela, ao coligir e traduzir textos, preservou a arte poética indígena com sua “tradução interlinear”. Publicados em Mythen und Legenden der Taulipáng und Arekuná-indianer (1924), traduzido em Mitos e lendas dos índios Taulipáng e Arekuná (1953). E destaco a ausência das seções “FONETICA, PROLOGO, TEXTOS”, na edição brasileira do livro, nas quais oito sequências narrativas, em língua Taurepáng, atribuídas aos indígenas Mayuluaípu e Akuli, são omitidas. Segundo Lúcia Sá “as histórias que Mayuluaípu e Akuli contaram a Koch-Grunberg serviram de base para Macunaíma, de Mário de Andrade, marco decisivo da história da narrativa moderna brasileira”. Devemos considerar que os textos de fatura indígenas são contribuição valiosa para o corpus da literatura brasileira, mas são depreciados e relegados a material etnográfico. Pretendo tecer considerações acerca de novas formas de relações interculturais, valorização das civilizações tradicionais, culturas das margens, pluralidade das intersecções e as pretensas homogeneidades nacionais pós-coloniais e com isso, reafirmar uma literatura indígena brasileira.
Palavras-chave: Tradução; Literatura Indígena; Taurepáng
VOLTAR