Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Literaturas do fim do mundo: resignação e pós-pessimismo contemporâneos na literatura distópica brasileira e argentina.
Antonio Rediver Guizzo (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), Maíra Soalheiro Grade (Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE)
Lukács, em A teoria do romance (2000), observa que o elemento verdadeiramente social da literatura é a forma. As características composicionais de uma época dialogam profundamente com as estruturas históricas, culturais, econômicas e políticas da sociedade. Na contemporaneidade, observamos o crescimento do número de produções literárias distópicas e pós-apocalípticas. Nesse trabalho, em perspectiva semelhante a pesquisadores e críticos como Gregory Claeys (2017), Fernando Reati (2006), Elsa Drucaroff (2006), Jill Lepore (2017), María Laura Pérez Gras (2022), Eirik Vassenden (2022), investigamos, em obras literárias publicadas no Brasil e na Argentina a partir da segunda década do milênio, como o modelo econômico neoliberal, as consequências da degradação ambiental, as intermitentes crises financeiras, o recrudescimento democrático e a ascensão de políticos de extrema direita ao poder são características de nossa contemporaneidade que contribuem para um ascendente imaginário distópico figurado na literatura de nossa época. Além disso, observamos que, diferentemente das distopias modernas clássicas (1984, Fahrenheit 451 e Admirável Mundo Novo), a literatura distópica contemporânea assume, além da desconfiança de seu tempo, sentimentos como desamparo e submissão frente aos possíveis futuros desoladores, orientando-se por um pessimismo resignado e anti-utópico, que já não provoca nos personagens o ânimo para a ação coletiva e raramente apresenta arcos narrativos revolucionários na composição, características que Gonnermann (2019) relaciona ao conceito de pós-pessimismo. Sob essa perspectiva de análise, as obras que compõe o corpus da pesquisa são Cadáver Exquisito (2018) de Agustina Bazterrica e O deus das avencas (2021) de Daniel Galera.
Palavras-chave: iteratura Contemporânea; Distopia; Pós-pessimismo.
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