Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Literatura indígena e (re)existência: a mulher indígena na (auto)representação de Eliane Potiguara
Maria Dolores Martins de Araujo (Universidade Estadual de Goiás), Moisés Souza Siqueira (Universidade Estadual de Goiás)
este trabalho propõe analisar as (auto)representações da mulher indígena na obra Metade Cara, Metade Máscara [2004] (2018), escrita pela autora indígena brasileira Eliane Potiguara. Nesse sentido, busca-se refletir sobre um contexto situado: no Brasil, as histórias e representações sobre as mulheres indígenas, até bem recentemente, foram contadas quase que exclusivamente por homens não-indígenas. Para tanto, tem-se como referencial teórico-epistemológico a vertente crítica feminista decolonial, principalmente as reflexões arroladas por pensadores/as como Chimamanda Nigozi Adichie (2019), Heloisa Buarque de Hollanda (2018), Gloria Anzaldúa (2000), Graça Graúna (2013) e Maria Lugones (2020). Sob esse olhar teórico, delineia-se uma pesquisa de cunho bibliográfico e qualitativo (LAKATOS; MARCONI, 2003), materializada em um estudo analítico e sistemático do referido livro de Potiguara, em que se examina, a partir das narrativas contidas na obra, o que as experiências da mulher indígena têm compartilhado em forma de literatura escrita. Afinal, como produtos da linguagem, as narrativas são também construções que produzem efeitos concretos sobre a vida social. Dessa forma, compreende-se que tal produção literária configura-se como uma forma de (re)existência aos regimes de poder/verdade (FOUCAULT, 2003) hegemônicos, posto que a autora, mediante suas (auto)representações, desconstrói pressupostos eurocêntricos que, por muito tempo, regularizaram um único ponto de vista a respeito das narrativas relacionados às experiências da mulher indígena.
Palavras-chave: Literatura indígena; Eliane Potiguara; (Re)existência; Perspectiva feminista decolonial.
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