Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Literatura e música: Thomas Mann (A Montanha Mágica) e Mário de Andrade (Macunaíma)
Priscila Bosso Topdjian (UNESP), Antonio Manoel dos Santos Silva (UNESP)
Thomas Mann, em palestra ministrada em 1939, “Introdução à Montanha Mágica para estudantes da Universidade de Princeton”, confessa ter sido influenciado por Richard Wagner ao transpor a técnica musical do leitmotiv para a construção de seu, na época, mais conhecido romance. Em entrevista a Waldemar de Oliveira, dada em 1936, Mário de Andrade, ao responder à quinta pergunta, deixa escapar que considera “João Sebastião Bach o maior dos músicos da Terra”; três outras questões (a segunda, a terceira e a quarta, sobre autores preferidos entre os clássicos, entre os românticos e entre os contemporâneos) merecem a mesma resposta: “Bach, sempre Bach”. Na presente comunicação analisamos os argumentos centrais da palestra manniana e trechos do romance, no intuito de mostrar que os aspectos da narrativa relacionados com a música remetem-nos à teoria da formatividade de Luigi Pareyson (1966). Também somos remetidos ao mesmo filósofo quando pomos em relação a forma das suítes de Bach com a forma rapsódica de Macunaíma. Em ambas narrativas, a de Mann e a de Mário, podemos perceber o processo de construção estética que torna uma “forma formada” em “forma formante”. No caso do romance, podemos perceber que, a partir do quinto capítulo da narrativa, o narrador vale-se da metalinguagem para introduzir uma mudança na estrutura material da narrativa, mais especificamente na correlação contrastiva entre a extensão dos capítulos e a duração dos eventos relatados. No caso da rapsódia, por outro lado, pode-se notar que o nono capítulo “Cartas pras Icamiabas” corresponde, por seu andamento paródico, sua centralidade discursiva e material, à “sarabanda” da suíte, o que nos permite reler a obra segundo os movimentos rítmicos anteriores e posteriores: o capítulo das cartas constitui uma suspensão do tempo da ação, que, contraditoriamente, funde dois estilos, o parodiado, classicizante, e o da base narrativa, supostamente inculto.
Palavras-chave: Formatividade; Mário de Andrade; Rapsódia; Romance; Thomas Mann.
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