Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
“Eu a amo, é verdade, mas eu a odeio tanto quanto a amo”: o amor monogâmico como instrumento de manutenção da colonialidade de gênero na obra Entre l’arbre et l’écorce, de Françoise Loe-Mie.
José Barreto Romariz dos Santos Junior (Universidade Federal do Amapá)
O amor monogâmico durante muito tempo foi visto, nas sociedades coloniais, como a única maneira de construir relações afetivas entre sujeitos sociais, pois, segundo Polderman (2004), na Guiana Francesa, durante o período colonial, havia somente dois status para a mulher na sociedade: casada e viúva. Assim, se apoiando na estrutura patriarcal e machista, esse amor também foi/é utilizado como instrumento de implementação e manutenção da colonialidade de gênero que subalterniza o corpo feminino e o aprisiona em matrizes de dominação que interseccionam a raça, a classe, o gênero, os afetos e as sexualidades. Ainda hoje, nas sociedades modernas/capitalistas/coloniais, há o controle sobre os afetos e a maneira como as mulheres devem performar suas existências em sociedade. Françoise Loe-Mie, na sua obra Entre l'arbre et l'écorce, permite o diálogo e a reflexão sobre como o amor monogâmico é utilizado pelas personagens masculinas como garantia da submissão das personagens femininas que desejam viver suas subjetividades e seus afetos pautados na compreensão de que se pode agir socialmente de forma outra que não a imposta por sujeitos brancos, heterossexuais e eurocentrados. Na esteira de Vasallo (2022), hooks (2019a, 2019b, 2022) Oy?wùmí (2021, 2022) e Lugones (2020), este trabalho tem como objetivo, portanto, compreender como o amor monogâmico se constitui como instrumento de poder e de violência de gênero na obra de Loe-Mie, além de buscar entender como as masculinidades se constroem sob o argumento de exclusividade amorosa instituída em via única, onde somente a mulher deve obediência ao homem e onde se penaliza, persegue e desencoraja qualquer sujeito que apresenta comportamentos dissidentes da monogamia compulsória.
Palavras-chave: Guiana Francesa; Colonialidade de gênero; Amor monogâmico.
VOLTAR