Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
João Antônio: um olhar decolonial na colonialidade da vida marginal
Claudia Maria Cantarella Silva (Unesp- Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho")
“O que carecemos, em essência, é o levantamento de realidades brasileiras, vistas de dentro para fora. Necessidade de que assumamos o compromisso com o fato de escrever sem nos distanciarmos do povo e da terra” (1975, p. 143). Esse excerto de “Corpo-a-corpo com a vida”, ensaio/manifesto de João Antônio, publicado em seu livro Malhação de Judas Carioca, em 1975, parece nos revelar a intensa preocupação do autor – que viveu infância e adolescência na periferia de SP, foi jornalista e criador do conto-reportagem –, com o retrato da verdade em sua obra. Segundo Bakhtin (1983), “o trabalho de criação é vivido (...), o autor está por inteiro no processo criado”. Esse modo de revelar “por inteiro” a realidade da vida marginal, desconhecida de convívio comum, é o que mais nos fascina na escrita de João Antônio, vencedor do Jabuti em 1963, com o estreante Malagueta, Perus e Bacanaço. Propomos debater de que modo o olhar complacente, mas, principalmente, crítico do escritor, penetra nas veias marginais, na colonialidade enraizada na vida dos seres que habitam as margens sociais e nos traduz, por meio de uma linguagem própria à marginalidade, uma perspectiva decolonial, termo de que trata pensadores como Aníbal Quijano e Walter Mignolo. Pela visão de João Antônio e pela linguagem por ele adotada – “cujo estilo nos remete ao grito que vem de dentro, do âmago da raiz humana ferida nas periferias da brasilidade”, (AGUIAR, 1997, p. 204), mesclando erudição com vocabulário das ruas, o autor revela ao leitor o “paradigma decolonial” que, segundo MIGNOLO, (2017, p.57), “lucha por fomentar la divulgación de otra interpretación que pone sobre el tapete una visión silenciada de los acontecimientos y también muestra los límites de una ideología imperial que se presenta como verdadera y única interpretación de los hechos”.
Palavras-chave: Autor; contos; crítica; colonialidade; marginalidade.
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