Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Grafias de vida e hibridismo em Silviano Santiago
Luisa de Almeida Lírio Pinto (Universidade Federal Fluminense)
Pretende-se apresentar alguns dos romances de Silviano Santiago no qual ficção e realidade, história pessoal e discurso histórico se articulam e se misturam: Em liberdade (1987), Machado (2016), Menino sem passado (2021). Nas "notas do editor" de Em liberdade (1981), diz-se que o autor, Santiago, esteve em contato com um amigo próximo de Graciliano Ramos, a quem este teria confiado um diário íntimo, o qual Santiago teria usado como manuscrito para o seu próprio livro. Em Machado (2016), a figura do autor escreve sobre a vida de Machado de Assis após receber a correspondência entre o ilustre escritor e Mário de Alencar, numa narrativa que apresenta um discurso histórico sobre a cidade do Rio de Janeiro a partir de notícias de jornais, certidões e documentos oficiais. Embora esse romance esteja majoritariamente em terceira pessoa, há aparições breves da voz do personagem-autor em primeira pessoa. Os diferentes discursos situam essa obra no regime conceitual da pós-autonomia (Ludmer, 2009), uma vez que o domínio do discurso não é somente ficcional, mas biográfico e histórico. Já em Menino sem passado (2021), Santiago usa um discurso autobiográfico evidente, uma vez que se utiliza do nome próprio e de fatos da sua vida pessoal e intelectual. Observa-se, então, o interesse de Santiago em tensionar os limites dos gêneros discursivos, sobre o qual comenta em "Meditação sobre o ofício de criar" (2008) e "O entre-lugar do discurso latino americano" (2019). Assim, pretende-se mostrar as formas como os discursos biográfico, histórico e ficcional se articulam nos livros, hibridizando-os. Para essa discussão, pode-se usar as noções de "pós-autonomia" de Ludmer (2009), "autoficção" de Klinger (2012) e Santiago (2008), e "grafia de vida" de Santiago (2022).
Palavras-chave: Silviano Santiago; hibridismo; grafias de vida
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