O trabalho pretende realizar uma análise comparativa das obras de “As águas vivas não sabem de si”, de Aline Valek, e “Binti”, de Nnedi Okorafor, a fim de analisar como as presentes obras elaboram o futuro a partir da ancestralidade, seja ela vinda da África, como na obra afrofuturista “Binti”, ou vinda da própria evolução das espécies, como na obra de ficção científica brasileira “As águas vivas não sabem de si”. A construção desses futuros ficcionais e sua relação com a ancestralidade servirá de base para observarmos quais temáticas vem sendo discutidas e retomadas na contemporaneidade a fim de modificarmos as relações no interior das sociedades humanas ou entre os seres humanos e seres de outras espécies, e consequentemente com a natureza como um todo. Isso tudo levando em consideração que é só a partir de uma mudança significativa na maneira como habitamos o mundo e nos relacionamos com os outros seres que o habitam que será possível construir um futuro possível, ou ainda, segurar o céu. Nesse sentido, lembramos Ailton Krenak quando afirma que a criação do mundo se dá a todo o tempo, bem como quando aponta que os brancos assumem o futuro como um tempo porvir para se eximirem da sua responsabilidade para com ele, assim defendemos que o futuro deve ser construído a todo o tempo, começando agora.