Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
“A Loja de Bombom Barato Além do El” ou sobre como Leminski cantou Ferlinghetti
Lívia Mendes Pereira (UNESP - Campus Araraquara), Brunno Vinicius Gonçalves Vieira (UNESP - Campus Araraquara)
Os autores que Paulo Leminski traduziu, ou melhor, escolheu para fazer parte de seu “paideuma particular” são em geral revolucionários em suas épocas e serviram como referências para o futuro. O poeta curitibano não se limitou a uma acomodação passiva nas vertentes literárias/tradutórias em que participou, ao contrário, a prática tradutória foi decisiva na construção de sua poiesis singular, seja traduzindo, proseando ou poetando. Assim, Leminski perseguiu o conceito de “trans-criação em tradução”, nos seus termos: ao reconhecer a “impossibilidade da tradução enraizada na palavra” e ao considerar o ato de traduzir operando a partir de uma difícil transformação, relacionada até mesmo a um “ato de violência” (LEMINSKI, 2012 [1986], p. 237), mas que deve ser digerido de forma que ultrapasse a fronteira do impossível e passe a ser algo crítico e criativo. Nesse sentido, o poeta fez com que seu trabalho tradutório alcançasse o status de “criação”, ao produzir novos originais afinados, sobretudo, com sua poética, em alguns casos, como neste que abordaremos, retificando a própria intentio operis autoral. Trataremos, pois, nesta comunicação a expressividade que Leminski imprimiu nas traduções de poemas do poeta beat norte-americano Lawrence Ferlinghetti, identificando seus momentos de “re-criação” de uma poesia, que, segundo Leminski, está mais conectada ao poema falado, como uma espécie de recital. Acontece que essa interpretação vai contra o próprio alvitre de Ferlinghetti, para o qual “poesia moderna é prosa” e, conforme o próprio tradutor observa, seria um equívoco do autor, que teria “uma poesia muito menos prosa do que ele imaginava” (LEMINSKI, 1984, p. 262). Pretendemos, juntos com Leminski, tratar desses paradoxos, e de outros, diante do poema “A Loja de Bombom Barato [ou seria “dos caramelos”] Além do El”, em busca de aprofundar a reflexão sobre essa singular forma de vida antagônica do novo poema traduzido.
Palavras-chave: tradução de poesia; trans-criação; Paulo Leminski; poesia beat; Lawrence Ferlinghetti
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