Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Encontro de águas uterinas: uma prosa poética entre canções de Luedji Luna e poemas de Conceição Evaristo
Mileide Santos Dias (UNEB)
A subjetividade negra feminina nos é negada de nossas ancestres às nossas descendentes, fato refletido nas canções e nos textos literários que pejoram e objetificam corpos-mulheres. Todavia, é possível, também a partir desses fazeres artísticos – literatura-canção –, reverter esse processo nadando em direção ao mar de subjetivação. O principal objetivo desse texto é dialogar canções de Luedji Luna com poemas de Conceição Evaristo. Por meio de uma metodologia bibliográfica com caráter qualitativo, escrevemos um convite a um mergulho nas águas da subjetividade negra feminina e suas curvas formadas pela memória ancestral. Intuindo justificar a interface canção-literatura, apresentamos análises de Solange de Oliveira (2002). Como instrumentação teórica, usamos o conceito tempo espiralar da intelectual Leda Maria Martins (2002; 2021a; 2021b) que nos conduz a epistemes poéticas e políticas de saberes, fazeres, performances negras. Recorremos também aos escritos de bell hooks (2019; 2020), bem como aos estudos analíticos e de casos de Neusa Santos Souza (2021) no afã de ancorar o processo de Erguer a voz para Tornar-se negra. Com o intuito de fundir subjetividade negra e música, Ensinamentos ancestrais africanos da filósofa Sobonfu Somé (2007) são utilizados. Os passeios pelas encruzilhadas e suas equinas epistêmicas ficam a cargo dos ensaios de Luiz Antonio Simas e Luiz Rufino (2018). Desaguamos na seguinte constatação: a representatividade das mulheres pretas em suas produções artísticas/intelectuais apresenta relevância na restituição da subjetividade negra feminina.
Palavras-chave: Subjetividade negra-feminina; canção-literatura negra; Luedji Luna; Conceição Evaristo.
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