Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Entre a ficção feminina moçambicana de Paulina Chiziane e o pensamento caribenho de Patrick Chamoiseau: Niketche. uma história de poligamia traduz Écrire en pays dominé
ARIANE DA MOTA CAVALCANTI (UFPE)
Este trabalho parte da premissa de que os esforços em se problematizar as literaturas africanas e afro-diaspóricas dentro do campo dos Estudos Pós-coloniais tendem a gerar reflexões significativas quando se preocupam em comparar as diferentes formas de se pensar e se produzir a ficção em países distintos que atravessam no presente os impactos da violência colonial do passado. Nesse sentido, traçar um paralelo entre de que maneiras particulares escritores pertencentes a sistemas literários subalternizados diversos, a geografias peculiares, a gêneros plurais, no intuito de investigar como estes produzem sentidos éticos e mobilizam uma amálgama estética heterogênea, se faz o objetivo geral da presente proposta. Busca-se, de modo específico, inscrever um possível diálogo entre as produções de Patrik Chamoiseau (Martinica) e Paulina Chiziane (Moçambique), pretendendo-se discutir como pressupostos críticos do escritor martinicano dissolvidos em “Écrire em pays dominé” (ANO) poderiam ser lidos na escrita de “Nicketche: uma história de poligamia” (ANO), da autora moçambicana, de modo a vivificarem suas escolhas estéticas na tessitura do romance em termos de seleções e combinações (ISER, 2002) de possibilidades de narrar, de utilizar vocábulos, de dialogismo com vozes não canônicas, bem como pertencentes à tradição literária ocidental. Defende-se, em foco, que as poéticas do “velho guerreiro”, da “pedra mundo”, pensadas por Chamoiseau na sua escrita como nativo do “país dominado”Martinica, seriam modalidades estético-políticas que poderiam ser associadas à obra da escritora, a qual, especificamente, dialoga com a geografia da África lusófona e com um projeto ficcional que se compromete, eticamente, em protagonizar representações de gênero, a figura feminina negra, interseccionada pelo patriarcado da sociedade local. Nessa perspectiva, Chiziane “traduziria” (BARBOSA, 2005) o pensamento de Chamoiseau em sua ficção. Como referencial teórico-crítico, entre outros nomes, estão: Inocência Mata (2013), Maria Lugones (2008); Rita Chaves (2006); Roland Walter (2009); Stuart Hall (2003).
Palavras-chave: Paulina Chiziane; Patrick Chamoiseau; Estudos Pós-coloniais; Gênero; Tradução.
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