Anne Marie Fortier (2002) estabelece o termo Diáspora Queer como a ‘condição de exílio e estranhamento experienciada por sujeitos Queer, localizando-os fora dos limiares de ‘lar’ - este sendo entendido como ‘o modelo heterosexual da família, a nação, a terra natal’ (8). Por esta definição, todos os sujeitos que se identificam (ou são identificados) como Queer estão automaticamente posicionados em alguma forma de diáspora, como são inerentemente rejeitados pelas estruturas sociais que são representativas do conceito de lar, devido a serem Queer. Em extensão a isso, Sujeitos Queer que estão dentro da diáspora são duplamente localizados neste limiar de não-pertencimento a um grupo ou outro, sendo completamente marginalizados por ambas sua cultura de origem quanto a cultura local - devido a sua identidade e seu status como imigrantes.
Em suas obras The Henna Wars (2020) e Hani and Ishu’s guide to fake dating (2021), Adiba Jagirdar apresenta este duplo não pertencimento e entremeio identitário, explorando via diferentes ângulos a experiência diaspórica de personagens sáficas no contexto Irlandes contemporâneo. Via análise do texto, é possível notar como a dupla marginalização das personagens formam suas identidades, e como estas lidam e se estabelecem identitariamente frente aos desafios apresentados pela sociedade, seus amigos, famílias e respectivas comunidades.
Palavras-chave: Diáspora Queer, Estudos de identidade, Literatura contemporânea