Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Do sertanejo ao desterrado: construções discursivas da literatura brasileira
Pâmela das Dores Medeiros Mitterofhe (Universidade Federal de Juiz de Fora)
No presente trabalho, delineamos um percurso que associa a construção imaginária e histórica das favelas aos dias atuais, evidenciando que a ausência de assistência do poder público gera um quadro de violência que se perpetua. A Guerra de Canudos, os aspectos culturais oriundos da construção do sertanejo e as justificativas de raça presentes na obra "Os Sertões" de Euclides da Cunha são o plano de fundo, convergindo com a figura do negro marginalizado da obra Desterro de Ferréz, demonstrando a insurgência de novas vozes na literatura brasileira contemporânea. Perante a análise que contrapõe as obras citadas anteriormente percebe-se a construção de um discurso em torno das vozes excluídas da sociedade. Segundo SANTOS (2013), em sua tese de doutorado, há alguns aspectos que aproximam o sertanejo do negro, um deles reside no fato de ambos serem “inferiorizados” socialmente e desafiarem o estado, como veremos nas obras Os Sertões, em que os sertanejos lutam na Guerra de Canudos e também em Desterro quando a personagem principal desafia o poder vigente por meio do tráfico de drogas e do controle sobre a comunidade em que vive. Percebe-se que há uma destituição do poder estatal nos dois casos demonstrando que a eugenia, o darwinismo e a segregação ainda persistem, os resquícios de raça que justificaram escravizar os negros no passado, ainda têm papel fundamental na construção imagética da sociedade frente aos moradores das comunidades e aos negros de forma geral, mas a literatura marginal tem função de transformar essa visão, ou ao menos evidenciá-la como uma forma de denúncia.
Palavras-chave: Canudos; raça; sertanejo; favela; Desterro.
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