Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Do lastro da memória ao tecido ficcional: autoficção na escritura de Lindanor Celina
Marcia Daniele dos Santos Lobato (Universidade Federal do Pará - UFPA/Programa de Pós-Graduação em Letras - PPGL)
Narrar, diz Benjamin (1994) é “intercambiar experiências”, a experiência humana como fonte de inspiração para os narradores. O narrador é, portanto, um artesão a tecer experiência, relato e ficção, de uma literatura a ultrapassar a fruição e alcançar a percepção sobre a vida, de modo a nos reconhecermos como personagens de tantos textos literários a partir de experiências vividas. Seria refletir sobre o que Jerusa Pires Ferreira aponta nas Armadilhas da Memória (2003) sobre o enlace entre a composição narrativa e a memória que está nas mãos do artista, que cumprirá, ou não, um acorde entre texto e leitor. Nesse enlace, habita o rememorar, sempre pronto a se repetir num contínuo de movência em poesia, memória, esquecimento, como processo de recriação. Neste ensejo trazemos à baila a romancista Lindanor Celina (1927-2003), uma das representantes da literatura feminina da Amazônia, autora de 7 Romances, 4 livros de Crônicas, 2 peças de teatro, Símbolo, livro de poemas e suas crônicas publicadas na sua coluna Minarete, no jornal Folha do Norte no período de 1954-1973, crônicas essas, que nos provocam a debruçar em estudos sobre a escritura de Lindanor Celina. Nesse percurso, a possibilidade de olhar o texto como um corpo híbrido trazido por Silviano Santigo (2008), em que ele se propõe a falar sobre sua escritura e relação com “experiência, memória, sinceridade e da verdade poética”. Nos provoca refletir como a escritura desta mulher estaria em um momento na história, experiência e memória como força criadora que sugere o texto autoficcional, ou seja, de uma memória que atravessa a ficção e irriga a criação, revisitada pelas crônicas da autora em busca de uma análise literária comparativa com seus romances, um texto híbrido que traz o estatuto do vivido, na recriação ficcional na artesania narrativa.
Palavras-chave: Lindanor Celina. Literatura feminina. Literatura de expressão Amazônica. Memória. Autoficção
VOLTAR