Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Distopia e pós-colonialismo no conto a Floresta do adeus
Paulo Wagner Moura de Oliveira (UNEMAT-Universidade Estadual de Mato Grosso)
No presente trabalho demonstraremos a presença de características do gênero literário distópico no conto A Floresta do Adeus, presente no livro Doramar ou a Odisseia (2021) do escritor Itamar Vieira Junior. Apontando, ao mesmo tempo, a relação destas características com os impacto causado pelo avanço do agronegócio das plantações de eucalipto em territórios de comunidades tradicionais. Demonstraremos que, ao ficcionalizar um problema que tem gerado conflitos socioambientais em regiões do país, notadamente no sul da Bahia, o conto cria um tempo distinto com a capacidade de transgredir a história oficial instrumentalizada, com a capacidade de criar uma dimensão ética que denuncia a violência, a injustiça social, a desterritorialização de comunidades tradicionais, entre outras consequências trazidas por projetos pós-coloniais de desenvolvimento, um modelo hegemônico que historicamente perpetua a monocultura agrícola no Brasil. Demonstraremos, também, que a obra abordada revela em sua diegese o protagonismo de vozes femininas, a atualização de traços literários regionalistas na literatura contemporânea e a força de outros saberes e memórias ligadas à ancestralidade presente em comunidades que insistem em sobreviver e perpetuar seu modo de vida e seus traços identitários. Na abordagem de nosso objeto de estudo, utilizaremos de maneira destacada o conceito de distopia e utopia presentes em Carlos Berrial e Carolina Dantas de Figueiredo, a questão da destruição das formas sociais autóctones pelo processo hegemônico de desenvolvimento abordada pelos teóricos Franz Fannon e Stuart Hall e, ainda, as discussões sobre a presença de traços regionalistas na literatura contemporânea de Karl Erik Schollhammer e Zilda Cury.
Palavras-chave: Distopia; Desterritorialização; Pós-colonialismo; Utopia.
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