André Araujo Pires Ferreira (Universidade de Brasília)
A Divina Comédia de Dante Alighieri pode ser considerada como uma das obras que expõe diversas faces da maldade humana, assim como punições julgadas justas e devidas pelo autor. Quando na Comédia, Dante trabalha, em sua primeira parte - o Inferno-, as penas ligadas aos feitos na Terra por figuras - ora locais ora históricas mundiais. Caminhando sob a guia do poeta clássico Virgílio, o autor percorre uma jornada pelos círculos infernais. Nesta comunicação destrinchar-se-á o nono compartimento do oitavo círculo infernal, local em que se encontram os cismáticos e os instigadores da discórdia política e religiosa. A partir desta informação, trabalhar-se-á como se apresenta a maldade praticada por estes. Olhando então para a dita maldade pontuada por Dante, comparar-se-á à maldade sob a visão de Zygmunt Bauman e Leonidas Donski em A Cegueira Moral. Com estas informações em mãos, pretende-se então propor uma discussão sobre quão próximas à insensibilidade humana estão os feitos dos cismáticos postos por Dante, e, por fim, trazer também à contemporaneidade o debate sobre tais ações frente ao que se entende por maldade utilizando não só o que é posto por Bauman e Donski, mas também outros pontos de vista como de Georges Bataille, Peter Sloterijk e Friederich Nietzsche.
Palavras-chave: Maldade ; Mal ; Cisma ; Discórdia ; Conflito