Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Dinah Silveira de Queiroz e o desmoronar de mundos: Mal-estar e Sobrevivência no Capitaloceno
Jade Martins Leite Soares (UFRJ)
Segundo Byung-Chul Han (2021), o vírus (referindo-se à pandemia SARS-CoV-2) é espelho de nossa sociedade. Assim, hoje a sobrevivência é absolutizada, todas as nossas forças de vida são usadas para prolongar a vida. E dentro dessa sociedade de sobrevivência perde-se completamente o sentido de boa vida. A vida é reduzida a um processo biológico que deve ser otimizado. Ou, nas palavras de Jonathan Crary (2016), “a vida comum se transformou em objeto da técnica”. No cuidado exclusivo com a sobrevivência nos igualamos ao vírus, esse morto-vivo que apenas se multiplica, ou seja, sobrevive sem viver. Então, segundo Han (2021), falta ao capitalismo a narrativa da boa vida. Ele absolutiza a sobrevivência; é nutrido pela crença inconsciente de que mais capital significa menos morte. O capital é acumulado contra a morte. E é por isso que no presente trabalho optamos por utilizar a expressão capitaloceno para pensar os tempos em que vivemos, já que há uma racionalidade sistêmica reforçando o lucro acima de todas as formas de vida. De acordo com Anna Lowenhaupt Tsing (2015/2022) o nosso problema é que o progresso deixou de fazer sentido, há um ritmo acelerado que acaba por atropelar a vida. Refletindo sobre a capacidade do capitaloceno de transformar vida em sobrevivência e desmoronar mundos, ousaremos dançar em outros ritmos de viver e criar, a partir da obra pioneira de ficção científica de Dinah Silveira de Queiroz, escritora brasileira do início do século passado. Para tanto, utilizaremos o relançamento (2022) de dois livros de contos da autora (Eles herdarão a Terra e Comba Malina) para ruminar sobre os outros mundos possíveis sugeridos por Donna Haraway (2015). Ou ainda cogitar a existência de outros imaginários que estejam além do mal-estar (1930/2020) do apagamento da extensa produção de Dinah Silveira de Queiroz.
Palavras-chave: Ficção científica; Capitaloceno; Psicanálise.
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