O objetivo deste trabalho é analisar de que maneira a melancolia e a resistência estão presentes na obra Diários, da autora argentina Alejandra Pizarnik. A obra em questão é permeada pelo signo da melancolia, frequentemente envolta em temas como a dificuldade de existir, chegando até a ideação suicida. Tal cenário abre possibilidades para pensar esse movimento da tristeza instaurada na narrativa, enquanto uma forte consciência do viver em uma sociedade patriarcal e desfavorável, na medida em que boicota mulheres artistas, escritoras, pensadoras. Nesse sentido, demonstraremos como a melancolia age na narrativa enquanto forma de reação, embate e resistência ao período histórico (1954-1971) que a autora vivia. Pizarnik transgride as “leis patriarcais” também no momento de reflexão e melancolia, pois coloca em jogo a “leveza” que é sempre esperada do ser-mulher, dessa forma verificaremos como a autora transborda tais limites através da escrita de seus diários. Para tanto recorreremos a autores que trabalhem os conceitos de melancolia e resistência para melhor estruturar nossa comunicação, com Maria Helena Kuhner em A transgressão do feminino (1989), Pierre Bourdieu em A dominação masculina (2007), Alfredo Bosi em Literatura e resistência (2002), Luiz Costa Lima em Melancolia (2017) e outros autores que nos ajudem a refletir como se dá o processo de representação da melancolia e da resistência na obra.