Esta pesquisa discorre acerca da estética cinematográfica bem como a presença da intermidialidade no filme O caminhão (1977) da diretora, escritora e atriz francesa Margueritte Duras em consonância com a concepção cênica do dramaturgo e encenador alemão Bertolt Brecht. A referida película traz como argumento a leitura de um roteiro sobre uma viagem de um caminhoneiro e um hipotético diálogo com sua carona. Essa metalinguagem possibilita uma conversa entre mídias que emerge da obra de Duras com o teatro do distanciamento e do estranhamento de Brecht. À luz dos estudos pioneiros de Dick Higgins e de Hansen-Löve a respeito da intermidialidade, embasamos a nossa pesquisa com essa proposição dialética para construir o nosso corpus teórico. Analisando o filme de Margueritte Duras, retratamos, naturalmente, a influência e a presença da teoria do teatro anti-ilusionista brechtiano. Com esse propósito, atualizamos e ressignificamos o olhar sobre a obra fílmica O caminhão (1977). Compreendemos que o presente artigo corrobora a contribuição de ambos os artistas na construção de uma cena estética rica e significativa para o cinema. O viés intersemiótico adotado por este trabalho perpassa por referências como Robert Stam, Luciene Guimarães de Oliveira e Anatol Rosenfeld, só para citar alguns, que tratam do legado e das escrituras brechtiana e durasiana.