Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Descarrego colonial em Maréia (2019): oralidade e saberes afroancestrais na poética de Miriam Alves.
JULIANA CRISTINA COSTA (Universidade Federal de Uberlândia)
O romance Maréia de Miriam Alves tensiona, direta ou indiretamente, saberes hegemônicos instituídos pelos mecanismos de controle das relações de poder na sociedade brasileira. Esse segundo romance da referida autora, a partir das vozes das personagens negras, mobiliza saberes da oralidade, constituinte da história e cultura afro-brasileira, para questionar a história da nação que é permeada pela colonialidade do poder, saber e do ser. Observa-se socialmente um carrego colonial ou mafunda que, segundo Rufino (2019), corresponde aos efeitos da colonialidade nas relações sociais e no imaginário, o que ocasiona uma práxis segregacionista violenta de corporeidades e saberes de grupos minoritários de poder. Ainda, Nascimento dos Santos (2011 apud HAMPATÉ BA, 1982, p.184) compreende que só a partir do resgate de um legado histórico e mítico que será possível recriar o imaginário que se configura também pela tradição oral africana . Nesse sentido, a oralidade é vista como uma fonte de saber significativa, além de ser representativa na cultura africana, ganha um papel relevante na diáspora, especificamente no contexto brasileiro, pois é na transmissão oral que se observa uma episteme não escrita na história nacional, a qual foi colocada na esfera do inaudível, culturalmente, pelos ruídos do ocidente nos discursos, inclusive, o literário . Em Mareia (2019), o enredo apresenta os saberes orais sendo transmitidos dentro do seio da família negra, tais saberes são tanto sobre a espiritualidade como sobre questões da história do povo negro. Através de minuciosas descrições narrativa, a narradora representa as cosmovisões, africana e europeia, e os saberes e práticas que se originam delas.
Palavras-chave: Tradição Oral; Episteme; Literatura Brasileira; Literatura Negra Brasileira.
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