Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
DA NEGAÇÃO DE DIREITOS À (IN)DIGNIDADE NA MORTE: LEITURA DA NARRATIVA "UM CORPO SEM NOME", DE ADONIAS FILHO
GILSON ANTUNES DA SILVA (IF Baiano)
Analisa a novela “Um corpo sem nome”, de Adonias Filho, a fim de evidenciar como se dá a negação de direitos na vida da personagem sem nome que atravessa a narrativa e como sua dignidade é (re)stabelecida pelo narrador. Partimos da hipótese de que essa mulher que “vinha de longa viagem” para morrer no Largo da Palma tem sua existência centrada na negação de direitos e que, ao narrar sua morte anônima, na certeza de que “não há vida simples”, o narrador-personagem (também anônimo) (re)stabelece a dignidade da mulher sem rosto e sem identidade, testemunhando seu fim solitário, acompanhando o corpo até o necrotério e, sobretudo, fazendo-a conhecida por meio de sua narrativa. Far-se-á a leitura da narrativa a partir do cruzamento dos discursos literário e jurídico com ênfase nos Direitos humanos e, sobretudo, no conceito de dignidade humana. Trata-se, portanto, de um trabalho de natureza comparativa cujo procedimento principal consiste em “se alcançar aspectos jurídicos na produção literária de ficção” (GODOY, 2008), configurando aquilo que os estudiosos dessa intersecção têm chamado de Direito na literatura. Nesse modo de articulação, examinam-se aspectos singulares da problemática e da experiência jurídica retratados pela literatura – como a justiça, a vingança, o funcionamento dos tribunais, à ordem instituída, etc. -; entendida como obra literária. Analisa-se o direito a partir da literatura, com base na premissa de que certos temas jurídicos encontram-se melhor formulados e elucidados em obras literárias, uma vez que a literatura constitui uma espécie de repositório privilegiado por meio do qual se inferem informações e subsídios capazes de contribuir diretamente na compreensão das relações humanas que compõem o meio social (TRINDADE, GUBERT, 2008). Sob esse viés, analisaremos a novela de O largo da Palma, tomando-a como locus de representação de situações em que os direitos humanos são restringidos e/ou negados.
Palavras-chave: (In)Dignidade; Direitos humanos; Narrativa literária; Adonias Filho; Corpo sem nome.
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