Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Da literatura ao cinema: reflexões sobre diferentes formas de rupturas narrativas a partir de Franz Kafka, Sergei Eisenstein e Gilles Deleuze.
Luísa Osório Rizzatti (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
A ideia do trabalho é debater sobre rupturas narrativas na literatura e no cinema. Em relação à primeira, discutiremos sobre a obra de Franz Kafka, que opera por rupturas a partir de elementos gestuais e sonoros. Para pensar o segundo tópico, partiremos da ideia de que a montagem é uma importante forma de produção de rupturas narrativas no cinema. Por isso, o trabalho propõe-se a investigar e compreender como o audiovisual é capaz de criar e efetivar tais rupturas. Nesse sentido, a proposta é refletirmos à luz dos pensamentos de Sergei Eisenstein e de Gilles Deleuze. O primeiro, cineasta e teórico soviético, foi disruptivo ao criar uma nova teoria da montagem ainda nas primeiras décadas do cinema, além de colocar em prática todo o seu pensamento através da sua obra cinematográfica. Através do cineasta, discutiremos conceitos e ideias como “êxtase”, “pathos” e “unidade orgânica”, discutidos na obra Nonindifferent nature. Por outro viés e décadas depois, o segundo nome, o filósofo francês Deleuze, trouxe a noção de “corte irracional” para caracterizar uma nova fase do cinema, após a Segunda Guerra Mundial. Já com o advento do som e com um maior refinamento dos atos de fala no audiovisual, a montagem revela-se disruptiva de uma outra maneira, diferente daquela proposta por Eisenstein. Para finalizar, faremos uma breve análise de Adeus à linguagem (2014), de Jean-Luc Godard, para dar corpo às teorizações acerca de ruptura e corte irracional propostas por Deleuze. Com isso, poderemos tecer reflexões sobre diferentes formas de criar rupturas narrativas em mídias distintas.
Palavras-chave: ruptura narrativa; Franz Kafka; Sergei Eisenstein; Gilles Deleuze
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