Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Correspondências insólitas entre as linguagens narrativa e artística de Nuno Ramos
Rodrigo Donizeti Mingotti (UNESP)
Assimilar o fantástico como um modo literário, e não um gênero, como apontam algumas discussões atuais empreendidas por Remo Ceserani, Irène Bessière, David Roas e Filipe Furtado, é de suma relevância para a compreensão de narrativas que não são, num primeiro momento, vinculadas à literatura fantástica; mas que, a partir de uma leitura atenta e crítica aos olhos do modo fantástico, são entendidas como tal por exprimirem correspondências, construções e particularidades que produzem o efeito fantástico, de plurais maneiras. E, atualmente, entender o fantástico dessa forma se faz necessário uma vez que – gradativamente – não só os textos como também as diferentes mídias e linguagens tendem a resistir a classificações precisas ostentando construções diversificadas. Assim, levando em conta que o fantástico não se limita numa única linguagem por excelência, mas que esta pode estar presente em diversas outras, desde que apresente características que produzam, de uma forma ou outra, os efeitos de sentido do fantástico, é possível encontrar tais concepções nas composições contemporâneas do escritor e artista plástico Nuno Ramos que, imerso nessas variadas linguagens com quais opera, tende a manejar um macro tema: a estranheza da realidade contemporânea com a qual o leitor/espectador se identifica, aproximando-se, muitas vezes, do modo fantástico. Para tanto, propõe-se para esta comunicação a análise das narrativas curtas de Ramos, presentes na coletânea “O pão do corvo” (2001, relançada em 2017), sobretudo de “Ele canta”, em que nos deparamos com elementos estranhos, indefinidos e inexplicáveis que se aproximam conceitualmente do insólito, da aparição de algo “que não pode aparecer, mas aparece” (CAILLOIS, 1980), em suma, do fantástico. Não só, propõe-se aqui, similarmente, analisar as relações entre a escrita de Ramos e suas manifestações artísticas que tendem a evidenciar experiências multidirecionais que corroboram para a ideia de estranheza e arbitrariedade do mundo contemporâneo (ROAS, 2014).
Palavras-chave: Fantástico contemporâneo; Representações do insólito; Nuno Ramos; Literatura e arte.
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