Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Corpos plurais em Malambo (2001), de Lucía Charún-Illescas
Caroline Kirsch Pfeifer (Universidad Nacional de la Plta (UNLP9/Universidad de SanAndrés (UdeSa))
No romance Malambo (2001), da escritora afro peruana Lucía Charún-Illescas, o espaço físico que dá título à obra é um corpo polifônico e negro que se estende ao longo do Rio Rimac dentro da cidade de Lima colonial. Este bairro destinado aos negros escravizados, alforriados e aos cimarrones, os negros fugitivos, é o legado africano que luta para sobreviver e se impor em uma Lima vice-reinal através da oralidade, das fábulas, da religião e da memória que se reconstrói através de vozes silenciadas e invisibilizadas. A proposta deste trabalho tem como objetivo, em primeiro lugar, evidenciar as diferentes formas de opressão que escravizaram e monopolizaram os corpos negros que habitaram este espaço físico dentro da narrativa de Charún-Illescas e como determinados corpos e vozes como das personagens Tomazón, Pancha e a voz do próprio Río Hablador que se personifica para narrar e contar as histórias locais, são vozes que questionam a colonialidade de um poder (Quijano, 2007) e de um sistema que monopoliza, escraviza e oprime corpos dissidentes. Em segundo lugar, propõe-se analisar o corpo plural que habita o Malambo, onde um conjunto de personagens, Jaci, Tomasón, Pancha, Vancancio e outros sobrevivem evidenciando aspectos da colonização e da cultura negra em terras peruanas. Ali, no Malambo, fica evidente os corpos ancestrais e os processos transculturais que constituem o imaginário ancestral e polifônico de uma comunidade inca e yorubá que resiste através de suas histórias.
Palavras-chave: Corpos Plurais; Transculturação; Colonialidade do Poder; Memória Ancestral.
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