Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Corpos femininos negros em sororidade: cumplicidade e empatia em Niketche: uma história de poligamia
LUCIANA DOS SANTOS SILVA (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO- UERJ)
“Era minha alma fora das grades sociais. Era o meu sonho de infância, de mulher. Era eu, no meu mundo interior correndo em liberdade nos caminhos do mundo." (CHIZIANE, 2002, p.214). Nesta fala, Rami a narradora personagem do romance Niketche: uma história de poligamia (2002) exalta sua emancipação feminina após ver-se livre do papel de esposa subjugada em um casamento polígamo. De autoria de Paulina Chiziane, mulher negra, moçambicana, vencedora do prêmio Camões 2021, esta obra provoca desdobramentos para análise e reflexões em torno do relacionamento do gênero feminino com o mundo. Nesta perspectiva, este estudo propõe uma leitura do romance de forma que evidencie o relacionamento de Rami com as demais mulheres de seu marido: Julieta, Luísa, Saly e Mauá, que a princípio se consideram rivais, contudo, no decorrer da história emergem em corpos que se agregam, regeneram-se e acolhem-se em cumplicidade: "Julieta levou-me para dentro de casa. Deu-me banho morno. Fez-me os pensos para estancar as feridas [...]" (CHIZIANE, 2002, p.21). Momentos de escuta, identificação mútua, empatia, sororidade: "Sororidade vem da ideia de irmandade, mas também podemos dizer que tem a ver com empatia, união entre mulheres, solidariedade[...]”. (PACHÁ; PIEDADE, 2021, p.56). Rami se compadece pelo sofrimento de Julieta: "Abraço-a. Conheço a amargura deste choro e o calor deste fogo. Emociono-me. Solidarizo-me” (CHIZIANE, 2002, p.22). Desta forma, a pesquisa visa despertar reflexões acerca de outras formas de representação do corpo feminino através das personagens, além do estereótipo de amantes de um mesmo homem. Como embasamento à análise proposta, destaca-se os estudos realizados por Dina Salústio (2018); Iris Amâncio (2018) em Escritas do corpo feminino e Andréa Pachá e Vilma Piedade (2021) em Sobre feminismos.
Palavras-chave: literatura moçambicana; autoria feminina negra; gênero feminino; sororidade
VOLTAR