Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
CORPO-TERRA-CASA: MATERIALIDADE E FLUIDEZ DOS TERRITÓRIOS FEMININOS EM COMETIERRA
Élida da Silva Fernandes (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Este trabalho consiste em analisar as diferentes representações do corpo feminino no romance Cometierra, da argentina Dolores Reyes. Na obra, a personagem de uma jovem moradora da periferia que tem o hábito de comer terra desmitifica alguns dos lugares comuns silenciados sobre o corpo violentado de muitas mulheres. A terra, que guarda direta relação com as histórias que precisam ser reveladas na trama, funciona como uma conexão material com o corpo feminino da jovem protagonista. Em contrapartida, o seu corpo se coloca a serviço do corpo social, na medida em que auxilia aqueles que buscam desvendar os enigmas acerca dos crimes cometidos contra mulheres. Levando-se em consideração o histórico de banalização da violência contra mulheres e o fato de tão somente há pouquíssimos anos conseguirmos nomear esse tipo de violência como feminicídio, fica evidente a necessidade de debatermos esse assunto a partir de um outro lugar: o relato de uma personagem e de uma autora que falam a partir da periferia. É importante observarmos, em Cometierra, a representação do corpo feminino em suas diferentes esferas: política, geográfica, social e simbólica. A obra nos convida a pensar o corpo feminino como um território vivo, que dialoga com suas representações, levando-nos também a refletir sobre sua fluidez enquanto elemento que busca se conectar com a terra no processo da investigação de seu próprio desenvolvimento e na materialização de sua existência como espaço-casa. A partir dessas reflexões, é possível depreender na trama certas problemáticas das relações de poder sobre o corpo feminino que marcam as dinâmicas sociais nas margens de uma grande metrópole.
Palavras-chave: mulher; feminismo; território; corpo; violência.
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