Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Corpo feminino e violência de gênero em As meninas e As três Marias
DAIANE DE MOURA RODRIGUES (UNIVERSIDADADE DO ESTADO DA BAHIA)
A partir das produções literárias produzidas por mulheres, proponho através deste estudo, analisar os romances, As três Marias (1934), de Rachel de Queiroz, e As Meninas (1973), de Lygia Fagundes Telles, narrativas estas que nos apresentam a trajetória e os dilemas da vida de seis jovens mulheres, personagens brasileiras que viveram, respectivamente, na segunda metade do século XX. É importante observar que os corpos femininos, representados nos romances, são de mulheres brancas, da burguesia ou classe média baixa e que portanto, faz-se necessário refletir sobre a necessidade de repensar as teorias feministas a partir do problema em torno de uma narrativa que serve para afirmar a exclusão das mulheres negras. Estas personagens exploram questões pertinentes à condição da mulher na sociedade, refletem a luta feminina, o não conformismo, o sexismo, a objetificação da mulher massacrada pelo meio social e a sua tentativa de emancipação. Ambos os livros conferem ao texto literário o caráter de apresentação da figura feminina em determinada época, mas não somente essa reflexão está em destaque, vertentes políticas, religiosas e filosóficas também circulam nestes enredos. Tanto em As Meninas (1934), como em As três Marias (1973) é possível desvendar o lugar do corpo feminino e as representações de violência de gênero que aparecem nos romances. A esse respeito, primeiramente nos interessa traçar quais foram esses episódios e quais identidades foram desconstruídas a partir dessas representações. Com tal dinâmica, busca-se através desta pesquisa entender as convergências e divergências presentes nessas representações e como estes corpos femininos impulsionam o texto literário. Para tal, buscarei teóricos/as dos estudos literários tais como: bell hooks (2018), María Lugones (2019), Guacira Lopes Louro (1997), Constância Lima Duarte (2009), Carlos Magno Gomes (2010), Regina Dalcastagnè (2001), Angela Davis (2016), Heleieth Saffioti (2015), dentre outros/as.
Palavras-chave: Literatura brasileira; corpo feminino; violência de gênero; autoria feminina
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