Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Conceição Evaristo e as vozes-mulheres
MANUELA SANTOS DIAS (UNEB - UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA)
O presente estudo aborda o conceito de Escrevivência, proposto por Conceição Evaristo, bem como analisa seu impacto e relevância no processo de resistência que se consolida por meio da autoficção produzida por mulheres negras no Brasil. A literatura brasileira, especialmente escrita e protagonizada por mulheres negras, experimenta um momento relevante para o processo de reconhecimento e afirmação identitária, visto que as escrevivências apresentam memórias, histórias, sonhos e ações que ficaram guardados por muito tempo e agora estão sendo projetados para o mundo. Em função da herança negativa que o racismo imprime nas pessoas negras, é essencial construir percepções positivas de si e do outro, principalmente no âmbito artístico e literário. Nesse sentido, a autoficção, se torna imprescindível para os grupos que foram invisibilizados e negligenciados pela crueldade do colonialismo, pois oferece a possibilidade de preencher lacunas que as narrativas oficiais apagaram ou ignoraram ao longo do tempo. Usa-se a metodologia bibliográfica, com caráter qualitativo e os debates teóricos são norteados, principalmente por Conceição Evaristo (2020), com o conceito de escrevivência; Diana Klinger (2008); Gislene Alves da Silva; Jailma dos Santos Pedreira Moreira (2020); com estudos sobre autoficção e Leda Martins (2003); Diana Taylor (2013) com trabalhos sobre literatura e performance, dentre outros e outras que dialogam com as temáticas estudadas. Constata-se que as escrevivências reforçam e afirmam a presença de múltiplos corpos de mulheres negras que se conectam, se atravessam e são atravessados por vários aspectos sociais e históricos, que garantem ao texto de Evaristo o recurso artístico capaz de pintar a vida por meio da palavra escrita e traduzir o intraduzível.
Palavras-chave: Conceição Evaristo; vozes-mulheres; escrevivência.
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