Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Colonialismo histórico e a emergência do imaginário bélico na literatura Sci-Fi
Jairo De Araújo Souza (Universidade do Estado da Bahia (UNEB))
Nesta comunicação faremos uma breve análise da emergência da produção literária de ficção científica no século XX e seus desdobramentos na atualidade. Nosso intuito é refletir como o contexto das Grandes Guerras Mundiais e da Guerra Fria (1945-1989) possibilitaram o exercício de um imaginário literário que se consolidou, em grande medida, a partir de conjunturas belicistas entre as potências do chamado mundo moderno ocidental. A produção de revistas como as Pulp magazines (GUTHER, 2015) no início do século XX, e anos mais tarde, a publicação de obras como Eu, Robô (ASIMOV, 1950) e As Crônicas Marcianas (BRADBURY, 1950), concorreram para a ampliação e consolidação da ficção científica como parte de um imaginário histórico e colonial, no qual este gênero se inseriu com suas características próprias, um gênero literário capaz de produzir e provocar profundas reflexões críticas sobre o modo como a sociedade capitalista projeta seu tempo futuro. Nosso argumento se ancora também no fato de que a literatura Sci-Fi atualiza um “imaginário colonialista” (RIEDER, 2008), que significa reproduzir uma subjetividade que permanece viva desde as invasões históricas das Áfricas e das Américas, exploração e domínio pelos europeus. Queremos ainda apontar o quanto deste imaginário se faz presente no século XXI, com uma nova “corrida espacial” em direção à Marte e o quanto de um imaginário colonialista se mantém fortalecido com as narrativas de conquista e colonização de outros planetas, promessas de progresso e modernidade.
Palavras-chave: Colonialismo; Ficção científica; Literatura.
VOLTAR