Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Cartografias do corpo na literatura trans: território e identidade na obra “O Parque das Irmãs Magníficas", de Camila Sosa Villada
Maria Helena Lustosa Fernandes (Universidade Federal da Paraíba)
O presente trabalho busca refletir sobre a relação do corpo com o espaço na perspectiva da contrassexualidade, no romance O Parque das Irmãs Magníficas, da autora argentina travesti, Camila Sosa Villada. A obra foi vencedora do prêmio literário Sor Juana Inés de la Cruz (2020). A narrativa retrata um grupo de travestis da cidade de Córdoba, na Argentina, e traz aspectos angustiantes da existência e da resistência da travestilidade, de uma realidade que, historicamente, é recriminada pela sociedade. Diante disso, nos baseamos nos conceitos da contrassexualidade, de Preciado (2019), que no âmbito do contrato contrassexual, entende que os corpos se reconhecem a si mesmos como corpos falantes e também reconhecem os outros como falantes, não como homens ou mulheres. Ou seja, o corpo é entendido como enunciação, e não pelo sexo. Nesse contexto, surge a tecnologia sexual, que implica na criação de uma tecnologia para o próprio corpo, ou seja, ter poder ou se apropriar do seu próprio corpo. Josefina Ludmer (2013) especula o mundo como espaço que atravessa a literatura, com o intuito de ver os territórios da imaginação pública, buscando enxergar os corpos que cruzam e se movimentam, vendo seus sujeitos, visando a imaginação das políticas territoriais, que são as das crenças e afetos, da nação, da ilha urbana, do império e da língua. Desse modo, visa-se que os corpos são anexos ao território, assim, o território é visto como uma organização do espaço por onde perpassam corpos, uma interseção de corpos em movimento, que pode ser visto através das ficções (LUDMER, 2013). Dentro desses aspectos, no romance de Villada, tem-se uma literatura reinventada na travestilidade, apresentando os movimentos das corpas travestis nos espaços.
Palavras-chave: Corpo; Território; Espaço; Camila Villada; Travestilidade.
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