Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Entre Brasil e Portugal: o hibridismo cultural em Matilde Campilho
Carolina Dias Huguenin (UFRJ)
Este trabalho pretende fazer uma análise de poemas presentes no primeiro livro da portuguesa Matilde Campilho, "Jóquei", que apresenta diversos textos com uma escrita híbrida em termos culturais. Ademais, outro fator que contribuiu para a escolha foi o fato dos poemas terem sido produzidos durante o período que a autora morou no Brasil, ou seja, momento mais fértil para tal característica desenvolver-se em seus textos literários, visto que Matilde encontrava-se imersa em uma nova cultura, era uma imigrante, ou uma “expatriada”, como define Said. A condição de imigrante é um fator decisivo para gerar o hibridismo cultural. Sobre o processo de migração portuguesa no século passado, Eduardo Lourenço diz o seguinte: “[...] O emigrante prolonga, sob uma outra forma, a nossa presença colonizadora. Encontra, nesses locais, possibilidades que a Europa não lhe fornece e permanece numa imensa casa onde se fala com doçura a sua própria língua. (Lourenço, 1999, p. 51)”. A questão linguística é aqui de suma importância, pois, apesar das diferenças entre o português europeu e o brasileiro, é mais confortável para Campilho morar em um país que tenha como língua oficial o português, ao invés de morar em outra nação com o idioma distinto. Tal ponto interessa-nos na medida em que notamos o fato da lusitana ter começado a produzir sua literatura no Brasil, onde não só começou a escrever, mas fez uso simultaneamente da variante linguística europeia e da brasileira, revelando, de fato, estar em uma espécie de “segunda casa”. Matilde Campilho evidencia sua experiência de poeta em trânsito, do indivíduo nômade. Com isso, as fronteiras entre os países são destruídas. Os saltos entre línguas e espaços geográficos tornam difícil qualquer tipo de classificação ou separação, é complexo definir, por exemplo, onde começa Portugal e termina o Brasil na poética da portuguesa, como será visto posteriormente.
Palavras-chave: Matilde Campilho; Hibridismo cultural; Poesia Contemporânea.
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