Este presente artigo objetiva analisar as estratégias poéticas utilizadas em poemas da escritora Conceição Evaristo compõe o livro Poemas da recordação e outros movimentos, destacando os percursos da memória individual e coletiva que neles se encenam. Procura-se discutir como, nos poemas em questão, o presente mostra construído pela revivência da história do povo negro brasileiro, herdeiro das tradições e experiência dos africanos escravizados, bem como essa experiência é passada aos descendentes, criando laços entre o vivido e o recordado. Nos poemas da escritora, o passado relembrado é motivação para um maior conhecimento de vidas subalternizadas que, todavia, não deixaram de legar aos seus descendentes exemplos de luta e vivência afetiva em coletividade. Além disso, a memória retomada na escrita de Evaristo evoca traumas, recordações que cavam os rastros e restos do processo de escravização no Brasil. E, ao suscitar o termo Banzo em seus poemas Evaristo, nos traz à luz toda trajetória dos negros africanos vindos de África com suas experiências, vivências e reminiscências. Dentre vários teóricos solicitados pelas análises, destacam-se Andreas Huyssen, Paul Ricoeur, Maurice Halbwachs, Pierre Nora, Michel Pollak, cujas reflexões reforçam o desejo de que as “escrevivências” da escritora possa ser compreendida em seus vários traçados poéticos.