Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
As práticas transtextuais na composição de Machado, romance de Silviano Santiago
Thiago Bittencourt (Universidade Federal do Paraná)
Esta comunicação tem como objetivos compreender e demonstrar as relações transtextuais que o romance Machado (2016), de Silviano Santiago, mantém com outros textos e com seus próprios elementos paratextuais presentes na sua composição, os quais o constituem como suporte de uma composição literária. Para tanto, fundamentamos nossas bases teóricas no uso das terminologias propostas por Gérard Genette, em Palimpsestos: literatura de segunda mão (2010) e em Paratextos editoriais (2009). Segundo o teórico francês, a transtextualidade, ou transcendência textual de um texto, pode ser compreendida como aquilo que o coloca em relação, manifesta ou implícita, com outros textos, e apresenta-se nas seguintes formas: a intertextualidade, a paratextualidade, a metatextualidade, a hipertextualidade e a arquitextualidade. No estudo das sistematizações de Genette (2009, p. 20; 21), é verificável que os cinco tipos de transtextualidade não devem ser compreendidos como classificações estanques, sem comunicações ou interseções entre eles. “Suas relações são, ao contrário, numerosas e frequentemente decisivas. [...] Deve-se considerar a transtextualidade, não como uma categoria de textos, mas como um aspecto da textualidade, e certamente, da literariedade”. O estudo dessas interdiscursividades no romance do ficcionista mineiro, cuja narrativa tem como protagonistas o narrador-personagem e o escritor Machado de Assis, possibilita-nos a dar um salto na leitura e interpretação de uma narrativa multissemiótica, composta por signos linguísticos e não linguísticos, como fotografias e pinturas. Com isso, discorrer sistematicamente sobre a composição narrativa e seus pontos de contatos com os paratextos que a envolvem.
Palavras-chave: Machado. Transtextualidade. Narrativa.
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