Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
As materialidades do livro "No Mato": Relato do fazer artístico-literário
Gisele Link Federizzi (UFRGS)
Esta comunicação visa trazer a experiência de uma autora independente que reflete, a partir do seu fazer artístico-literário, acerca das materialidades que compõem o livro para as infâncias "No mato". Para tanto apresentar-se-á a estrutura móvel da obra, produzida em 2019, pela autora Gisele Link Federizzi, apresentadora do presente trabalho, discorrendo sobre as possibilidades e potencialidades de significação. A referida produção artesanal tem uma arquitetura física conhecida como flexagon, que reforça a potência cíclica da narrativa. O design (forma + dimensão + cor + jogo de palavras) aposta na estratégia de repetição, convidando o leitor a pedir "De novo! De novo!" ao fim da leitura (mas será que existe um fim?). Nesse movimento de interação em que se começa por onde quiser, o leitor explora as materialidades enquanto linguagem estética, experimentando uma leitura não linear, a qual rompe com o padrão e ordem capa->miolo->contacapa. Na manipulação performática do objeto livro, dentro do seu próprio ritmo e tempo, o leitor mobiliza todo o corpo, potencializando a dimensão lúdico-sensório-perceptiva (jogar, virar, voltar, adivinhar, surpreender-se), bem como sonora (rimas, intensidades e alturas vocais) e visual (cores, disposição na "páginas" e imagens que se transmutam e se reorganizam) a cada nova virada de dobras. À luz de Carrión (1995), Derdyk (2013), Medeiros (2022), Huizinga (1993), Naves & Junqueira (2019), Silveira (2001), e Zumthor (2007) propõe-se, então, olhar e analisar teoricamente o próprio processo de criação artístico-literário do qual compreende o leitor também como coautor dos sentidos, uma vez que ele é o sujeito que interage brincando, criando e recriando todos os elementos pictóricos e textuais presentes na obra
Palavras-chave: Fazer artístico-literário; Livro brincante; Livro-objeto; Materialidades; No Mato.
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