Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
As marcas da violência como constituintes do sujeito em O Peso do Pássaro Morto, de Aline Bei, e Young Mungo, de Douglas Stuart
Jorge Alves Pinto (Universidade Estadual da Paraíba)
Ao atingir os corpos de diferentes modos, a violência deixa marcas capazes de transformar os sujeitos, tornando-se ela mesma uma experiência constituinte de suas subjetividades. Partindo do pressuposto de que enxergar as histórias pelo viés das sensibilidades nos permite levar em maior consideração as emoções e as subjetividades (PESAVENTO, 2004), o presente trabalho estabelece um estudo comparativo entre duas obras, uma brasileira, a saber O Peso do Pássaro Morto, de Aline Bei (2017), e uma escocesa, Young Mungo, de Douglas Stuart (2022). Em ambos os textos, encontramos protagonistas que passam por um episódio de estupro; no de Aline Bei, uma jovem e, no de Douglas Stuart, um jovem gay. As duas personagens fazem parte de grupos que são historicamente alvos de formas distintas de violência. Diante disso, nosso objetivo é investigar quais as motivações para os atos de violência cometidos e como as vítimas são afetadas por eles. Para tanto, nosso aporte teórico consiste em Gomes (2013; 2014), Figueiredo (2019) e Dutra (2019) para discorrermos acerca da violência contra a mulher e o femicídio na literatura brasileira contemporânea; em Brownmiller (1975) e Bourke (2009) para discutirmos a questão do estupro e suas consequências; em Bourdieu (2022) e Connel e Messerschmitt (2013) para argumentarmos as relações entre masculinidade hegemônica e violência. Por fim, compreendemos que as instâncias de poder que circulam entre os indivíduos (FOUCAULT, 2022) colaboram para o processo de sujeição (BUTLER, 2020), que é continuamente construído.
Palavras-chave: Violência; Masculinidade hegemônica; Subjetividade.
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