JESÚS MONTOYA (Universidade Federal de São Carlos)
A presente comunicação tem como objetivo analisar a presença da apropriação literária e suas relações com a estrangeria como eixo temático dentro da poesia venezuelana contemporânea. Nesse sentido, propõe-se uma revisão breve, partindo de uma genealogia de obras que, no final do século XX, viriam a compor um acervo que dimensiona a estrangeria hoje trabalhada como na crítica literária venezuelana, a qual nasce da crise atual migratória do país, por meio de categorias como “literatura da diáspora” ou “literatura do exílio”. Estas obras executam procedimentos de apropriação no poema como a tradução, a reescritura e a instalação de obras de arte (pinturas, mapas e fotografias) para a desestabilização do gênero poético e da figura do autor e da originalidade, potencializando, assim, a sua expansão e hibridação, linguística e estética, no percorrer dos sujeitos num bilinguismo em trânsito, os quais não só viajam como corpos espalhados por diferentes países do mundo, mas também por diversas tradições literárias e línguas. Como exemplos pontuais, traz referência às obras de Beverly Pérez Rego, Luis Moreno Villamediana, Verónica Jaffé, Márgara Russotto e Gina Saraceni, sem deixar de lado a menção de obras mais recentes, especialmente a dos poetas mais jovens que, na poesia venezuelana contemporânea, fazem da estrangeria uma continuidade com particularidades onde a violência e a desfiguração social do país se metaforizam de diversas maneiras.