A preocupação com as questões sociais sempre foi destaque na literatura da Amazônia. Neste sentido, um time de escritores, oriundos ou não da Amazônia, produziu textos que trataram sobre problemas pontuais da região. Dos escritores paraenses que se debruçaram especificamente sobre assuntos que interferem no desenvolvimento saudável da região, merece destaque o paraense Dalcídio Jurandir (1909 – 1979), que se firmou na literatura a partir de uma publicação premiada, em âmbito nacional, no ano de 1941. As narrativas elaboradas por Jurandir receberam a denominação de ciclo do Extremo Norte (1941 a 1978) e discorrem sobre alguns problemas comuns que afetam a Amazônia paraense, tais como fome, doenças, analfabetismo entre outros. Dos livros produzidos no ciclo, daremos destaque, neste trabalho, ao livro Passagem dos Inocentes (1963) em que a preocupação social é mesclada com a arte literária, e mostra o compasso entre literatura e a situação sanitária da periferia da cidade de Belém do Pará nos primeiros anos do século XX. Assim, o presente estudo objetiva apresentar a proposta literossocial de Dalcídio Jurandir em que o escritor agrega realidade social e estética literária. A proposta é alicerçada por estudiosos como FURTADO (2010 e 2021), DAOU (2004), CANDIDO (2007), ARIAS; COSTA (2021), além de textos disponíveis em fontes primárias que elucidam a questão sanitária em Belém do Pará.