Michelle Andressa Alvarenga de Souza (Universidade de São Paulo - USP)
A comunicação proposta se debruça sobre o romance Castle Rackrent, escrito por Maria Edgeworth e publicado em 1800. Com atenção especial ao contexto histórico do Ato de União e ao contexto literário irlandês com o surgimento do subgênero híbrido National Tale, o trabalho se debruça sobre o forte apelo didático desse romance político irlandês no centro do Império Britânico. Será demonstrado como esse texto, com seus aparatos textual e paratextual, coloca a problemática da união de uma nação formada por componentes que se diversificam no campo étnico, cultural, linguístico e religioso. O estudo reflete acerca do desafio da formação de uma dimensão conciliatória no romance, que não traz o casamento como superação do conflito narrativo. Mostra-se, ainda, como os desafios sociais impostos pela conturbada realidade da periferia celta impedem a composição de um romance realista e resultam em uma espécie de antirromance, que evidencia as contradições e ambivalências da realidade irlandesa em um momento crítico da história. Conclui-se demonstrando como o romance estudado apresenta uma solução ideológica que pode ser percebida em duas frentes: a de uma reforma feita pela elite da ascendência anglo-irlandesa, capaz de manter o status quo preservando as tradições do país; e uma atitude assimilativa por parte da Grã-Bretanha na ocasião da União com a Irlanda, que incorpore a alteridade ao invés de rejeitá-la.
Palavras-chave: Romance Político Irlandês; National Tale; Irlanda; Grã-Bretanha; Ato de União.