Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
A sobrevivência dos gestos da baiana durante o brincar carnavalesco nas aquarelas de Cecília Meireles
LUCIA APARECIDA FELISBERTO SANTIAGO (CEFET MG)
Na introdução do livro Artes populares, escrito para compor a obra Artes Plásticas no Brasil (1952), Cecília Meireles afirma que nossa formação como povo está configurada numa síntese entre o Carnaval e a Semana Santa. Para a estudiosa da arte e da cultura popular brasileiras, é através dessas duas manifestações que se apresentam a riqueza, a singularidade e a permanência dos elementos que compõem nossa arquitetura, escultura, pintura, habilidades artísticas e decorativas. A própria autora indica que os gestos e os ritmos do ‘brincar’ do Carnaval constituem uma herança dos costumes dos povos negros escravizados no Brasil, assim como o vestuário das baianas ‘cariocas’ é uma sobrevivência dos trajes usados pela autêntica baiana, do estado da Bahia. O momento do surgimento dos gestos e ritmos dos negros no Brasil localiza-se bem antes dos anos de 1930. As aquarelas feitas pela autora apontam o ‘brincar’ do Carnaval daquele tempo (1926-1934). Com essa sobreposição de temporalidades diversas, é possível vislumbrar um dos elementos responsáveis pela configuração de uma ‘sobrevivência’ de algo do passado no presente em que vivemos. Esta proposta deseja abordar o conceito de “sobrevivência”, tendo como objeto de análise as aquarelas de Cecília Meireles na década de 1930, que compõem o livro Batuque, samba e macumba. A intenção é investigar e inventariar os traços que indicam uma “sobrevivência” dos gestos das baianas dos desenhos de Cecília Meireles e das baianas contemporâneas que figuraram nas apresentações das escolas de samba durante o Carnaval do Rio de Janeiro em 2019; e, ainda, apresentar as possíveis herdeiras brasileiras dos gestos e dos ritmos das baianas aquareladas pela poetisa na arte, na música, no teatro etc.
Palavras-chave: Arte popular, Baiana; Cecília Meireles; Gestos; Sobrevivência.
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